DIABETES

RETINOPATIA DIABÉTICA*

PROF. DR. J. PROCOPIO DO VALLE

CRM – 52079020

O DIABETES MELLITUS ( diabetes açucarado) é doença conhecida desde o início da humanidade. Nas formas mais graves o paciente caminhava rapidamente para a morte, até 1922, quando os canadenses Banting e Best descobriram a I N S U L I N A . Seu emprego nos pacientes começou no ano de 1923; comemorando-se em 1997, 75 anos da descoberta da insulina. Graças a este hormônio, milhões de vidas foram salvas e, mais do que isto, com os progressos nos conhecimentos da doença, novas orientações para a dieta, os antibióticos e a educação dos diabéticos. Os diabéticos não só estão vivendo mais, mas estão tendo vida normal e feliz.

O diabetes incide desde o nascimento até a velhice. Como a humanidade está vivendo muito mais, surgiu um fato paradoxal: a ) o aumento do número da diabéticos; b) o aparecimento de complicações devidas aos diabetes.

Acredita-se que no ano 2.050 haverá no mundo mais de 50 milhões de pessoas com a idade de 100 anos. E, ao mesmo tempo, um grande aumento de patologias , como seja: a hipertensão, a arterioesclerose , o câncer , a obesidade e o diabetes.

Há 2 tipos de diabetes: o tipo 1, que, necessariamente, usa diariamente insulina, que predomina nas crianças, jovens e pessoas maduras e o tipo 2, em que os diabéticos, quase sempre, não necessitam de insulina. O tipo 2 é constituído de indivíduos com mais de 40 anos, em regra obesos.

O diabético pode, se for bem cuidado, é claro, levar uma vida normal. Mesmo assim, de acordo com seu potencial genético, muitos diabéticos apresentam complicações , a saber: neuropatias, retinopatia, nefropatias, atero e arterioesclerose, com incidência maior de enfarte do miocárdio e de AVC ou acidentes vasculares cerebrais.

O que devem fazer os diabéticos susceptíveis a estas complicações: cuidar do seu diabetes, fazendo dieta, tomando insulina de 2 a 4 injeções ao dia ( se indicado ) ou dieta mais comprimidos hipoglicemiantes ( antidiabéticos ) . Parece que se deve à permanência do açúcar alto no sangue ( hiperglicemia ) o agravamento das complicações do diabetes. O açúcar alto permanente agiria como um fator tóxico.

O diabético que se educa , tem força de vontade e aprende um conselho já centenário: "abrir os olhos e fechar a boca" , está no bom caminho.

A RETINOPATIA DIABÉTICA é o nosso tema principal. É uma complicação grave, evolui lentamente, Já é diagnosticada antes do aparecimento clínico da doença ( pelo exame feito por um oftalmologista ) ou pelos clínicos que sabem fazer exame de fundo de olho. Caminha, lenta e inexoravelmente, podendo levar à cegueira. Os diabéticos têm 25 vezes mais chances de se tornarem cegos do que os não diabéticos.

Há pessoas mais sensíveis e, de qualquer forma, a retinopatia diabética surge e evolui após 5 anos de doença.

O que fazer:

  1. diagnosticar, precocemente, o diabetes. Estão nesta classe as pessoas com familiares diabéticos e os obesos;
  2. Feito o diagnóstico, cuidar da doença. Procurar o médico. Ler sobre a doença ( há vários livros e folhetos sobre o assunto ). Entrar para uma Associação de Diabéticos.
  3. Diagnosticada a retinopatia, o oculista será o seu grande amigo. Ele vai acompanhar a evolução da doença, fazer tratamentos diversos e aplicar, quando necessário, raios-Laser.
  4. Os oftalmologistas e os diabéticos devem dar as mãos aos clínicos diabetólogos. O especialista em diabetes é a pessoa mais importante no tratamento da retinopatia diabética, pois o oculista tenta reduzir os malefícios das hemorragias da retina e outras lesões, mas o diabetólogo procurará controlar a doença e com isto reduzir a incidência e a evolução das complicações, entre as quais a retinopatia.

A retinopatia diabética evolui do aparecimento inicial de micro-aneurismas, seguidos de pequenas hemorragias. Sucessivamente surgirão hemorragias maiores, cicatrizações ( manchas em flocos de algodão ) ou manchas duras. Tanto mais graves quando se fazem na região da mácula ( ponto de maior acuidade visual ) . Ocorrem, em ambos os olhos e se chamam retinopatias não proliferativas.

Com o crescimento de vasos anormais na superfície da retina ( que é uma fina membrana que está no fundo do olho e é responsável pela formação da imagem ) estes vasos podem sangrar de maneira intensa ou podem causar descolamento da retina. Ambos provocam a grave redução da visão e, até mesmo, a cegueira total. É a retinopatia proliferativa.

 

DIAGNOSTICAR E TRATAR

 

Pensar que a vida é boa, que tantas pessoas dependem de você. Tenha força de vontade e confie nos avanços da medicina. Já se vislumbram pesquisas sobre a retina artificial.

Mas, lembre-se: o diabetes é doença que crescerá no 3º milênio, calculando-se que haverá um aumento do diabetes tipo 2 ( e obesidade ) de cerca de 40%. A retinopatia não se restringe ao diabetes tipo 1. Ela também ocorre no diabetes tipo2.

O sucesso para o tratamento da retinopatia diabética fundamenta-se na perfeita integração entre O PACIENTE,
O DIABETÓLOGO EXPERIENTE E O OFTALMOLOGISTA DE PRIMEIRA LINHA.

Nos últimos 15 anos, avanços foram realizados de forma a prevenir, atenuar, ou mesmo retroagir as complicações do Diabetes Mellitus, especialmente a Retinopatia Diabética. Não é tarefa fácil, mas vale a pena fazê-lo pois trata-se de complicações graves.

Os Oftalmologistas, com o uso dos Raios Laser, trouxeram benefícios preciosos, mas, tratam-se os efeitos e não as causas dos malefícios representadas pelo diabético mal cuidado, permanentemente descompensado. A responsabilidade e a cooperação do paciente são indispensáveis, pois ele se submete a sacrifícios, como as várias injeções de insulinas diárias, o controle das glicemias pela picada nos dedos, várias vezes ao dia, o seguimento de uma dieta rígida. É o tratamento intensivo.

Os Raios Laser são uma arma poderosa no tratamento da retinopatia diabética, mas devem ser usados com critérios rigorosos e menos freqüentes.

O Diabetólogo motiva o paciente, ampara-o emocionalmente, orienta quanto à dieta e a insulinoterapia intensiva. Os resultados, quando se obtém uma ação integrada são positivos.

Mesmo os pacientes com lesões graves da retina não devem se desesperar, pois eles mantêm íntegras as vias ópticas e virão, num futuro próximo, a se beneficiar das novas descobertas: a retina artificial, os chips ...

 

 

A COMPLEXIDADE DA VISÃO*

 

Figura 1 - A VIA VISUAL ( VIA ÓPTICA) : aqui são mostrados os mecanismos da visão , desde a passagem da luz, através da córnea ( olhos) até a captação do estímulo na retina, seguindo pelo nervo óptico, percorrendo o corpo geniculado lateral, o corpo caloso para atingir a cortex cerebral ( cortex visual primária).

 

Figura 2 - A mesma imagem, vista por baixo, no cérebro humano.

 

Figura 3 – A luz entra no olho através da córnea transparente, onde a maior parte da refração se faz ( O ponto branco da pupila é um reflexo da luz na córnea )

 

Figura 4 - A RETINA , ampliada à direita, mostra a relativa posição das 3 camadas retinianas. Surpreendentemente, a luz tem que passar através das camadas de células ganglionares e células bipolares, antes de atingir os bastonetes e os cones. Estes representam milhões de células receptoras.

 

Figura 5- FUNDO DE OLHO: a retina normal, vista com o oftalmoscópio. O grande círculo pàlido é o disco óptico, início do nervo óptico. As arteríolas emergem do disco e têm a coloração vermelha mais clara do que as vêmulas, que são escuras e nele imergem. A área avermelhada à direita do disco é a mácula, o local de maior acuidade visual, cujo centro é a fóvea.

 

 

*Retirados do livro "EYE, BRAIN, AND VISION" de DAVID H. HUBEL Scientific American Library, New York, 1988.

Figura 6

 

Figura 7

 

Figuras 6 e 7 - RETINOPATIA DIABÉTICA é a grave complicação do diabetes. Lesões da retina de 1 a 4 graus que podem levar à cegueira . Nesta RETINOGRAFIA, de um paciente nosso , vê-se a forma bem evoluída com micro-aneurismas , áreas homorrágicas esparsas, cicatrizes chamadas manchas duras e manchas em flocos de algodão. Felizmente a área da mácula ainda está poupada.

TÍTULOS DO PROF.DR. J. PROCOPIO DO VALLE

Médico, Faculdade de Medicina da Praia Vermelha, antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ

Pós-Graduação – Universidades do Canadá e da "Harvard University", Boston,

Estados Unidos

Médico, Hospital dos Servidores do Estado , Rio, (antigo IPASE)

Co-fundador : Associação Carioca de Diabéticos – 1947

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

(SBEM) – 1950

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – 1970

Membro da Comissão Organizadora da Escola Médica do Rio de Janeiro, Universidade Gama Filho, onde foi o 1º Coordenador do Ciclo Básico, Professor Regente de Fisiologia e Professor Regente de Clínica Médica.

Ex-Professor Titular de Endocrinologia pela UFF

 

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Associação Carioca de Diabéticos
Av. Mem de Sá 197, Rio
CEP 20230-15
Tel. (0XX21) 507-3358


Associação de Diabéticos de Juiz de Fora, MG
Travessa Antonio Martins, 130
CEP 36036-050
Tel. (0XX32) 215-2525

ANAD – Associação Nacional de Assistência aos Diabéticos
Rua Eça de Queiroz 198 – Vila Mariana – São Paulo – SP
CEP 04011-031
Tel. (0XX11) 549-6704

 

Sociedade Brasileira de Diabetes ( SBD)

Av. Paulista 2073 – 21º andar – conj 21/23 – São Paulo – SP
CEP 01311-300
Telefax (0XX11) 289-2941

 

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Depois que fitei teus olhos
a luz dos olhos perdi
Que posso fazer no mundo
sem luz, sem olhos, sem ti?

 

 


Autor anônimo, Rio, 1874

 

 

 

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LIVROS DO PROF. PROCOPIO DO VALLE

 

"APRENDA A VIVER COM O SEU DIABETES"

(4ª edição atualizada)

Editora EDIOURO PUBLICAÇÕES S.A.

Cx. Postal 1880 – CEP 20001-970 – Rio de Janeiro – RJ

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"DIABETES MELLITUS – A DOENÇA DO TERCEIRO MILÊNIO"

Destinado a médicos não especialistas e a estudantes de medicina, nutrição, enfermagem e assistência social.

 

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E. mail: jprvlota@uol.com.br

 

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Se os olhos não fossem Sol,
Jamais nós o Sol veríamos,
Se em nós não estivesse a própria força de
Deus,
Como é que o Divino sentiríamos?

 

 

GOETHE

"Poemas", 1797

 

 

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*Revisto pelo Dr. ALMIRO AZEREDO: Oftalmologista do HSE, antigo IPASE; Professor Catedrático Emérito de Oftalmologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da U.S.P.; Ex-Professor Titular de Oftalmologia da U.F.R.J.

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DIA MUNDIAL DO DIABETES : 14 de novembro

 

Última Revisão: 16 Setembro, 1999.
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